quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sonhos

Os sonhos são realidades
Que nós não temos coragem
De enfrentar no dia-a-dia

Aquilo que nós queremos,
Que não somos,
Tornam-se nos sonhos,
Em realidade.

Como somos felizes
Nesses momentos,
Tão breves, tão distantes,
Mas tão nossos.

Sonhos nossos, quem nos dera
Ser realidade.
Ter a coragem que não temos,
Ser aquilo que não somos,
Fazer aquilo que não fazemos.

Estamos fartos de ser iguais
A milhões de iguais.
Robots da vida, comandados por quem?
Apenas quando sonhamos,
Somos realmente nós.

Porquê ?


Porque
Te levaram
Tão cedo
Desta Vida?

Vida
Mal vivida
Desconhecida
Sem vida

Porquê
Tão brusca
Essa dor
De te perder?

Morte
Tão estranha
Desamparada
Sem morte

Porquê?

Passos


Passos
Desencantados
No silêncio
Das vielas

Passos
Sozinhos
Nas ruas
Tão estreitas

Passos
Sem vida
No silêncio
Dos becos

Passos
Calados
Na cidade
Ao abandono

Passos ...

País

País
Sem anseios
És tu
Sem rodeios

País
Livre e feliz
Doce ilusão
Por nós

País
Triste e só
Dura realidade
Em nós

Meu violão


Sete cordas tem o meu violão
E com elas faço uma balada
Para alguém que na imaginação
Ouvirá apenas a entoada

O meu violão é trovador
E para mim compõe trovas
Talvez sejam de amor
E de boas novas

O meu violão é meu amigo
Faz-me ter a doce ilusão
De que toca o que eu digo
Porque está perto do meu coração

Estou triste sem o meu violão
Tiraram as sete cordas
Dói-me o coração
Por não ter mais boas novas

João Ninguém


João Ninguém
Quem são teus pais?
Deixaram-te na Rua do Bem
Não pensando em ti mais

Agora tu vives feliz
Porque encontraste alguém
Mas tu és infeliz
Porque não tens amigos do bem

Quando amares a vida
Como ela merece
A tua despedida
Será feliz como parece

Vai por esses caminhos do mal
Tu morreste para a esperança
Mas quem és tu afinal?
Talvez uma pobre criança ...

Irmão


Vem irmão
Tem confiança
Numa recordação
De criança

Vem irmão
Não tenhas receio
Vem com a ilusão
Deste meu anseio

Irmão desaparecido
A noite te leva
Vai-se-me um amigo
Para o fim da terra

Flor


Flor
Que cresces
Sempre
A sorrir

Quantas vezes
És pisada
Por todos
E sorris

Flor
Minha estimação
Quem me dera
Ser como tu

Flor
Sê tu
Simplesmente
FLOR

Desta janela


Desta janela
Eu te vejo
Ó cidade
A acordar

Um pássaro
A voar
Mil voltas
Pelo ar

Desta janela
Eu te vejo
Ó chaminé
A fumegar

Uma antena
A virar
Pelo vento
A soprar

Desta janela
Eu te vejo
Ó minha cidade
A sonhar

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sombras

Sombras
Caminhando
Pelas ruas
Sem rumo

Sombras
Paradas
Na esquina
Da noite

Sombras
Fugidias
Aprisionadas
No caminho

Sombras
Cansadas
Da vida
Não vivida

Sombras ...

Solidão I


Na solidão
Desta vida
Porquê?

Todos
Tão acompanhados
Lado a lado
Eu tão só
Sem ninguém

Fantasmas
Da minha noite
Porquê?

Esta vida tão vazia
De solidão
Esta vida tão oca
De paixão

Amor
Tão fugidio
Porquê?

Solidão


Tanta gente
A rodear
A voltejar
Sem ninguém
Solidão

Pássaros
A voar
A voltejar
Tão sós
Sem alguém

Ventos
A soprar
A rodar
Tão sós
Solidão

Quem sou?
Um ser só
Na multidão
A andar

Solidão …

Serra

Serra
Tão linda
Sem igual
Outra não há
Como tu
Em Portugal

Serra
De Inverno
Tão branquinha
No Verão
Tantos odores
Cheia de cor

Serra
Tuas casas
São pontinhos
De luz
No meio
Da folhagem

Recordação


Há sete meses
Que morreste
Que te “matei” ...

Hoje ao fazer sete meses
Penso como irias ser?
Menino ou Menina ...

E sabes,
Não estou arrependida
De o ter feito.
Esta vida é cruel
Não servia para ti

Mas quando nos juntarmos
Quando a minha imagem terrena
Desaparecer da face da Terra

Então te explicarei
Melhor o porquê
Da tua morte

Sabes
Escrever para mim
É difícil

Pensamentos

Seara louca
De dor e movimento
Grito de lentidão
E desassombro

Quem sois afinal?
O cavaleiro andante
Das estepes nevadas
De ocidente boreal

Morte
Sinónimo Liberdade
Vida
Prisão e sofrimento

Fetos de reanimação
Nestes úteros
Sem modo próprio

Nuvens

Nuvem de luz
Luz do Sol
Que te alumia
Como uma candeia

Nuvem de Sol
Raio de Luz
Que te aquece
Como uma fogueira

Nossas vidas
Tão passageiras
São como nuvens
De Lua Cheia

Mundo

Mundo livre
Mundo preso
Porque não és
Igual a ti

Mundo livre
Mundo preso
Porque não és
Simplesmente
MUNDO

Mundo
Sem guerras
Sem prisões
Sonho impossível
Em nós

Porque existes
Mundo preso
Quando
Uma parte de ti
É mundo livre

Mulher

Mulher
Que te escravizas
Conforme o gosto
Dos homens

Mulher
Que sofres
Sem ninguém
Te ajudar

Mulher
Que te automatizas
Conforme o gosto
Dos homens

Mulher
Que te vendes
Sem ninguém
Te impedir

Mulher
Sem personalidade
Conforme o gosto
Dos homens

Liberta-te das amarras
E sê simplesmente
MULHER

Encontros

A vida é um palco
Onde se desenrolam
Os capítulos
Da nossa existência

Sem o querermos,
Somos actores
Neste teatro
A que chamamos Mundo

À criança de hoje,
O nosso hipotético
Inimigo de amanhã

Para os conflitos
De qualquer natureza,
Arranjamos
Múltiplas desculpas;

Mas para a Paz,
Por mais que
Rebusquemos em nós,
Nem uma só
Encontraremos

Em liberdade

Desta prisão
Sem grades
Vejo as aves
Em liberdade

Desta janela
Vejo Lisboa
E o Tejo
Em liberdade

Deste miradouro
Vejo os barcos
A deslizar
Em liberdade

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Despertar

Despertar
É como ressuscitar
Da Morte
Do dia a dia
Que nos envolve
Ao entardecer

Despertar
É nascer
Para tudo
Sem saber
Que o mundo
Vai morrer

Despertar
É como acordar
Do sonho
Do quotidiano
Que nos envolve
Em cada ano
Sem parar

Desilusão

Desilusão sofri
Quando te vi
Com outra ao lado

Raiva, ódio e abandono
Tudo senti
Porque te amo

Desilusão senti
Quando me apercebi
De todos os teus enganos

Porquê tantas mentiras
Quando nada te pedi
A não ser amor

Desilusão enraivecida
Ao ver outra sem ser eu
Tão sorridente a teu lado

Balada a Inês

Inês
Nasceste na serra
Onde uma vez
Houve uma guerra

Doce Inês
Que nasceste lá
Nas terras de Fêz
E onde talvez morrerás

Quando uma vez

Na festa de alguém
Apareceste tu
Bela Inês
Senti eu ser ninguém

Bela Inês
Sempre cantando
E eu triste de mim
Sempre chorando

Amor

Por onde andas?
Amor
Onde moras?
Amor

Pela vida
Procuro-te
Não te encontro
Amor

Estou sempre só
Amor
Porque não vens?
Amor

Minha vida
Solidão
Será assim?
Amor

Amigo

Meu saudoso amigo
Tu nunca partiste
Não estarás comigo
Porque nunca morreste

Eu estou tão só
Porque o meu amigo
Não voltou mais
Para o meu abrigo

Dói-me o coração
De pensar em ti
Será recordação
Porque então morri

Tendo eu morrido
Irás para os teus
Não estarás contido
Neste meu saudoso adeus

A Alguém

Na minha imaginação
Onde reina a fantasia
Tenho a ilusão
De ver a alegria

Dentro do meu coração
Existe um grande amor
Onde eu sei que não
Existirá a dor

Mas, quem sou eu afinal?
Talvez um pobre mendigo
Que veio para Portugal
Sem ninguém, nem abrigo

Assim me despeço eu
Pedindo que não chorem
Por este poema que foi meu
Enquanto os outros morrem

domingo, 4 de novembro de 2007

Criança


Criança
Brinca e sorri
Porque só tu
Tens esse direito

Criança
Escuta o que dizem
Falam de ti mas não sabem
Que brincar e sorrir
É contigo

Criança
Olha o céu e o mar
E pensa que é bom
Ser como tu

Criança
Miséria, fome e abandono
Tudo tu sofres
Mas no entanto sorris

Criança
Sorri sempre
Porque o teu sorriso
É um alento
E uma esperança
Para nós

Caminhando


Caminhando
Nas estreitas ruas
Desta cidade

Caminhando
No brando silêncio
Ao abandono

Caminhando
Soam meus passos
Na fria noite

Caminhando
Nas escuras vielas
Adormecidas

Caminhando
Penso, porquê
Desta solidão

Caminhando ...

Amor Vadio


Amor tão vadio
Quando te alcançam
És tão fugidio
Como a esperança

És como a onda
Sempre no ar
És como o sol
Sempre a brilhar

Aqueles que tocas
Com tuas setas
Acaba a solidão!
Seres felizes ...

Amar


Amar
É ser
Aquilo
Que não
Somos

Amar
É viver
Aquilo
Que não
Vivemos

Amar é sofrer
Aquilo
Que não
Sofremos

Amar
É afinal
Aquilo
Que não
Queremos

Amanhã


Será outro dia amanhã
Talvez triste, talvez alegre
Mas quem serei eu amanhã
Talvez aquele dia acre
Dos seres que não têm amanhã

Amanhã, dia feliz para nós
A liberdade foi dada
E quando as nossas vozes
Cantarem a liberdade dada
Seremos então realmente nós

A palavra amanhã é incerta
Nunca sabemos se morreremos
Ou se viveremos por certo
Mas que bela é e que mistério encerra